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Veja só…

23 Jul

Neste domingo, por acaso, me deparei com uma revista VEJA. Matéria de capa, é claro, sobre o lastimável acidente com o vôo da TAM.

Páginas e mais páginas escavando todo o tipo de assunto relacionado, com direito a fotos 3×4 de todas as vítimas. Dentre tanta exposição das vísceras de uma sociedade chocada, com fotos quase artísticas de corpos carbonizados, um texto que me deixou revoltado:

ÚLTIMO CONSOLO
Depois de admitir o inadmissível, a morte brutal de uma pessoa querida, pensa-se o impensável: será que pelo menos o fim foi rápido? Especialistas em grandes desastres oferecem esse consolo. Certamente os ocupantes do Airbus perceberam a iminência do acidente, mas quem está num avião a cerca de 180 quilômetros horários que desacelera para zero sofre o efeito de uma queda do 10º andar de um prédio. A desaceleração, por si só, rasga veias e artérias. Os assentos se soltam, os passageiros das fileiras da frente são esmagados. Nem os das fileiras dos fundos, cujos corpos estavam mais preservados e onde o impacto com o prédio foi mais absorvido, devem ter tido uma sobrevida suficiente para fazê-los sofrer. Todos já estavam mortos ou inconscientes quando foram carbonizados pelas chamas do incêndio.

Agora sim, me sinto melhor em relação à tragédia. Você não?